Notícia: Orientação ao Farmacêutico - Varíola dos macacos

Publicado em 08/06/2022

Orientação ao Farmacêutico - Varíola dos macacos


Orientação ao Farmacêutico - Varíola dos macacos

A varíola dos macacos (VM), uma zoonose viral, é uma doença endêmica na África Central e Ocidental, onde há selvas tropicais e onde vivem os animais que podem ser portadores do vírus. Raros casos em outros países são geralmente relacionados a viagens aos locais endêmicos.

Desde maio de 2022, muitos países não-endêmicos têm relatado casos da doença, a maioria sem histórico de viagens. Até 7 de junho, foram notificados 1077 casos confirmados em 31 países e nenhuma morte.

 

A doença

 

A VM é causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae.

Há duas cepas principais:

  • Cepa da bacia do Congo ou África Central – mais virulenta e transmissível;
  • Cepa da África Ocidental – menos virulenta e que tem sido identificada entre os casos atuais.

 

Geralmente, é autolimitada, mas provavelmente há baixa imunidade contra o vírus nos seguintes grupos:

  • Pessoas que vivem em países não endêmicos;
  • Crianças;
  • Gestantes;
  •  

 

O período de incubação é de 6 a 13 dias, podendo variar entre 5 a 21 dias.

 

Sinais e sintomas

 

Clinicamente, a infecção pode ser dividida em dois períodos:

  • Período de invasão: entre os dias 0 e 5, caracterizado por febre, cefaleia intensa, linfadenopatia, dor lombar, mialgias e astenia intensa. O inchaço dos gânglios linfáticos é uma característica da VM, em comparação com doenças semelhantes, como varicela ou sarampo.
  • Período de erupção cutânea: entre 1 e 3 dias depois do início da febre. Em geral, afeta primeiramente a face e, a seguir, o resto do corpo. As áreas mais afetadas são face (95% dos casos) e palmas das mãos e solas dos pés (75% dos casos). Também podem ser afetadas a mucosa oral, genital, conjuntiva palpebral e córnea. A evolução do exantema de maculopapular (lesões de base plana) para vesicular (bolhas cheias de líquido claro), pustular (lesões cheias de líquido amarelado) e as crostas, ocorre em 10 dias, porém sua eliminação completa pode demorar até três semanas.

 

Casos graves podem gerar infecções na pele, pneumonia, confusão mental e infecção ocular que pode levar à perda de visão.

 

Tratamento

 

Os sintomas costumam durar entre 2 a 4 semanas e geralmente têm resolução espontânea.

Não há tratamento específico e os cuidados visam aliviar os sintomas, evitar complicações e prevenir sequelas em longo prazo.

Os pacientes devem receber fluidos e alimentos para manter um estado nutricional adequado.

É importante cuidar das erupções, deixando que sequem, ou cobrindo com um curativo úmido para proteger a área, se necessário. Infecções bacterianas secundárias devem ser tratadas.

Deve-se evitar tocar qualquer lesão na boca ou nos olhos.

 

Transmissão e risco de infecção

Apesar do nome, os primatas não humanos não são reservatórios do vírus da varíola. O hospedeiro reservatório ainda é desconhecido, embora se suspeite que pequenos roedores (como esquilos) tenham esse papel nos países endêmicos.

O vírus entra no corpo através de lesões na pele (mesmo que não sejam visíveis) ou das mucosas (olho, nariz ou boca). É transmitido de uma pessoa a outra por:

  • Grandes gotas respiratórias – principal meio de transmissão.
  • Saliva – quando houver úlceras, lesões ou feridas na boca da pessoa infectada.
  • Contato próximo com as lesões, fluidos corporais e crostas. Quando a crosta desaparece, o paciente deixa de infectar outras pessoas.
  • Contato indireto com o material das lesões, como em roupas e lençóis contaminados.

 

Em geral, não é uma doença considerada altamente contagiosa, pois é necessário um contato físico muito próximo com alguém contaminado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o risco para público em geral é baixo.

 

 

Prevenção

 

Qualquer pessoa com suspeita ou confirmação da doença deve ser isolada até que suas lesões tenham evoluído para crostas e estas tenham caído, formando uma nova camada de pele intacta.

Assim que for identificado um caso suspeito, devem-se rastrear seus contatos, incluindo trabalhadores de saúde que não tenham utilizado os equipamentos de proteção individual apropriados.

Os contatos devem ser monitorados diariamente por um período de 21 dias. Se estiverem assintomáticos, podem continuar com suas atividades diárias, ou seja, não é necessário isolamento.

Não se deve compartilhar utensílios com pacientes infectados.

Deve ser feita a higiene das mãos (com água e sabão ou álcool gel) e recomenda-se o uso de máscaras.

 

Alerta para os países

 

As autoridades de saúde dos países devem estar atentas ao surgimento de pacientes que apresentem:

  • Erupção atípica na pele, que progride em etapas sequenciais;
  • Febre;
  • Linfadenopatia; e
  •  

Muitos indivíduos têm apresentado erupções localizadas nas regiões oral, peri-genital e/ou perianal, associadas com linfadenopatia local dolorosa e, algumas vezes, com infecção secundária.

 

O conhecimento dos fatores de risco e a educação sobre as medidas a serem tomadas para reduzir a exposição ao vírus são a principal estratégia de prevenção.

 

Vacina

 

Estão sendo feitos estudos para determinar a viabilidade e a adequação da vacinação para a prevenção e controle da doença.

Pessoas vacinadas contra a varíola humana no passado demonstraram ter alguma proteção contra a VM, no entanto, a vacinação foi encerrada em 1980, pois essa doença foi declarada erradicada; assim, as vacinas contra varíola humana já não estão disponíveis no mercado.

Até o momento, uma vez que a VM é incomum, não se recomenda a vacinação universal.

 

Brasil

 

O Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação para monitorar e investigar casos de VM, assim como para guiar as ações públicas necessárias.

Até 07/06, foram 9 casos notificados, sendo um descartado. Estão sob monitoramento 8 casos suspeitos e não há casos confirmados no país. Por caso suspeito, entende-se o indivíduo de qualquer idade que, a partir de 15/03/2022, apresente início súbito de febre, adenomegalia e erupção cutânea aguda do tipo papulovesicular de progressão uniforme.

 

Referências:

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Sala de situação de monkeypox. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svs/resposta-a-emergencias/sala-de-situacao-de-saude/sala-de-situacao-de-monkeypox>. Acesso em 08 jun. 2022.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Alerta epidemiológico: Varíola do macaco em países não endêmicos. 20 mai. 2022. Disponível em: <https://www.paho.org/pt/documentos/alerta-epidemiologico-variola-do-macaco-em-paises-nao-endemicos-20-maio-2022>. Acesso em 03 jun. 2022.

UNITED STATES OF AMERICA. Centers for disease control and prevention. Monkeypox. 2022 Monkeypox: information for healthcare professionals. Disponível em: <https://www.cdc.gov/poxvirus/monkeypox/response/2022/hcp/index.html>. Acesso em 06 jun. 2022.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Monkeypox. Disponível em: <https://www.who.int/health-topics/monkeypox>. Acesso em 03 jun. 2022.


Fonte: CIM/CRF-PR

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